A Educação é a chama que acende outra chama
A chama que atravessa as sombras - Há uma verdade silenciosa contida na metáfora de que a educação é a chama que acende outra chama. Uma tocha só tem sentido quando passa seu fogo adiante — caso contrário, queima para si mesma até apagar. A educação, nesse contexto, não é acúmulo de dados, nem um enfeite intelectual para impressionar plateias. Ela é um ato de transmutação: ao acender o outro, o educador transcende a si mesmo. E ao ser aceso, o aprendiz desperta para uma nova visão de mundo — uma que antes era sombra, mas agora é luz.
O que realmente se acende na educação verdadeira? Não é apenas o conhecimento técnico, nem o domínio de fórmulas ou teorias. É a consciência. E essa é a única chama que, ao se propagar, não se enfraquece — se multiplica. Um coração inflamado pela lucidez não retorna à ignorância sem sofrimento. A luz uma vez acesa torna insuportável a prisão da escuridão.
Por isso, todo ato educativo é também um ato espiritual. Ele exige presença, escuta e sacrifício. Exige morrer para a vaidade de ser o “mestre” e nascer para a missão de ser ponte, espelho e sopro vital. Ninguém acende outra chama com prepotência. Só o fogo que se ajoelha diante da madeira fria consegue gerar calor duradouro.
Mas a educação que se limita ao diploma é como fogo artificial: brilha por instantes e desaparece no vazio. A educação que liberta é lenta, exige dor, crise e reinvenção. É um processo de fricção interior — onde o velho se quebra para o novo emergir. Quem educa de verdade não dá respostas prontas: acende perguntas eternas. Quem aprende de verdade não coleciona fórmulas: queima ilusões para ver com mais nitidez.
Aplicar essa metáfora espiritualmente nos leva a uma reflexão dura: quais chamas temos acendido? Estamos apenas iluminando nossa própria caverna, satisfeitos com a luz que temos, ou somos tochas dispostas a iluminar trilhas alheias? É fácil exigir iluminação do mundo, mas poucos se dispõem a ser fogo no meio da noite alheia.
Emocionalmente, educar e ser educado exige vulnerabilidade. Para acender outra chama, é preciso se aproximar, permitir que o outro veja nossas brasas e nossas cinzas. O verdadeiro educador se expõe — e por isso educar também é arriscar-se. Toda alma que tenta acender outra corre o risco de se queimar. Mas qual é a alternativa? Permanecer frio, intocado, irrelevante?
E você? Qual foi a última vez que sua chama realmente acendeu alguém? E mais ainda: qual foi a última vez que você permitiu que alguém reacendesse a sua?
As perguntas que libertam não são aquelas que confirmam o que já sabemos, mas as que nos obrigam a reconstruir o mapa. Por isso, deixo esta provocação: você está vivendo para que sua chama aqueça, ilumine e inspire — ou apenas para que ela dure um pouco mais, sozinha, sem sentido?
A educação verdadeira é o fogo do sentido. Acenda. Queime. E então, passe adiante.

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