A eternidade merece sua rotina?
Imagine que, ao acordar amanhã, lhe fosse oferecida a chance de viver para sempre — não como uma criatura mística, mas como você é hoje: com seus valores, suas escolhas, seus hábitos, sua rotina. Nada mudaria, exceto uma coisa: você não morreria mais. O tempo não teria fim. O tédio não teria desculpa. O sentido não poderia ser adiado. A pergunta então surge, afiada como uma lâmina filosófica: a vida que você vive hoje justifica a eternidade? A maioria das pessoas vive como se tivesse tempo de sobra, mas sentido de menos. Adia sonhos, aceita relacionamentos mornos, repete padrões que a encolhem. E faz tudo isso confortada pela ideia de que um dia tudo acaba, que a morte é o ponto final que absolve a existência da necessidade de plenitude. Mas se a morte fosse suspensa, se o amanhã não trouxesse mais a desculpa do “depois”, o que seria de sua rotina? Nietzsche propôs o “eterno retorno” como experimento existencial: viver cada momento como se ele tivesse que se repetir infinitamente. Nã...