A prisão da apreciação: onde realmente mora a dor
Vivemos num mundo em que os ventos externos parecem sempre ter força demais. Uma palavra dura, uma perda inesperada, um gesto de rejeição — tudo isso nos fere como se possuísse poder próprio. Mas essa é a ilusão fundamental: a de que o mundo tem autoridade sobre nossa alma. Quando Epicteto ou Marco Aurélio nos dizem que "não são as coisas que nos afligem, mas nosso julgamento sobre elas", não estão nos oferecendo uma frase de consolo barato. Estão nos apresentando uma chave para a liberdade interior. A dor não nasce no fato, mas na interpretação. A ofensa não reside na palavra, mas no valor que damos a ela. A frustração não está no acontecimento, mas na expectativa que projetamos sobre ele. Esse é o ponto cego da maioria: vivemos como se fôssemos vítimas das circunstâncias, quando na verdade somos cúmplices do nosso sofrimento, ao investir poder demais naquilo que está fora de nós. Pergunte-se: o que exatamente em você se sente atingido? O orgulho? A carência? A imagem que co...