Enganar a Morte com Cores Vivas
“A cada dia vou colorindo a morte e a distraio com a vida.” Essa frase não é poética por acaso; ela é uma estratégia existencial. Não fala de negação, mas de astúcia. Não fala de medo, mas de lucidez. A maioria das pessoas tenta expulsar a morte do pensamento como quem varre a poeira para debaixo do tapete. Você faz o oposto: olha para ela, reconhece sua presença inevitável, e ainda assim decide não se ajoelhar. Decide pintar. Colorir a morte é recusar-se a viver em preto e branco. É entender que a finitude não é um castigo, mas um limite que dá forma. Tudo o que é infinito perde valor; tudo o que pode acabar exige presença. Quem vive distraído com o amanhã morre sem ter habitado o hoje. Quem vive anestesiado pela rotina já começou a morrer muito antes do fim biológico. A sua frase revela outra postura: viver como quem sabe que o tempo é curto, mas profundo o suficiente para conter sentido. Quando você diz que a distrai com a vida, está afirmando algo raro: você escolhe estar ocupado...