A Carroça vazia e o ruído da alma
“Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz.” Esse provérbio popular atravessou séculos não porque é bonito, mas porque é verdadeiro demais para ser ignorado. Ele não fala de objetos, fala de gente. Fala de consciências ocas que precisam fazer ruído para parecer relevantes. Fala do ego que grita quando o ser está ausente. Onde há substância, há silêncio. Onde há profundidade, há sobriedade. O excesso de barulho quase sempre denuncia a falta de conteúdo. Observe com atenção: quem realmente sabe, escuta mais do que fala. Quem construiu algo sólido não precisa anunciar a cada esquina. A árvore carregada de frutos se curva; a seca aponta para o céu como se quisesse ser vista. Assim também são as pessoas. Quanto menos consciência, mais opinião. Quanto menos sentido, mais necessidade de validação. Quanto menos trabalho interior, mais performance exterior. Vivemos uma era em que o barulho virou moeda. Opiniões rápidas, certezas rasas, discursos inflamados e identidades gritadas substit...