A dor que ensina e a dor que apenas grita
Nem toda dor é inimiga. Mas nem toda dor é mestra. Há dores que apenas gritam, nos machucam, nos afundam num pântano de ressentimento. E há outras que sussurram lições, nos convocam à transformação e esculpem nossa alma como o fogo forja o aço. A diferença não está na dor em si, mas no que fazemos com ela. Há dois tipos de dor: a que machuca… e a que modifica. A dor que machuca é a que resistimos. É a dor da negação, do apego ao que já morreu, da luta contra o inevitável. Ela se transforma em sofrimento quando, ao invés de aceitá-la, a alimentamos com nossa vitimização, orgulho ou fuga. É como uma ferida aberta que se recusa a cicatrizar porque o corpo — ou a mente — não quer soltar o passado. Essa dor não tem propósito, apenas repetição. Ela nos mantém pequenos, amedrontados, defensivos. É a dor do ego ferido, que prefere culpar o mundo a encarar suas próprias sombras. Por outro lado, a dor que modifica é aquela que decidimos atravessar. Não com pressa, mas com presença. É a dor que a...