Tem gente que nao quer sair do buraco, quer que você desça para fazer companhia a ele
Há um tipo de dor que não busca cura, busca plateia. E há pessoas que, feridas pelo mundo ou pela própria negligência interior, acabam criando subterrâneos emocionais onde se habituam a viver. Não querem sair — não porque não possam, mas porque o buraco tornou-se identidade, desculpa e trincheira. É nesse ponto que surge a tentação: a de puxar outros para baixo, para que a estagnação pareça menos solitária e a responsabilidade, menos incômoda. Quando alguém tenta fazer você descer ao buraco com ele, não está pedindo ajuda; está pedindo cumplicidade na própria fuga da vida. A armadilha é sutil. Às vezes você desce por compaixão, acreditando que presença é cura. Outras vezes desce por culpa, por medo de parecer distante ou egoísta. Mas o ato de descer é perigoso porque, no fundo, confirma a narrativa do outro: “Aqui é onde mereço ficar, e você deveria estar aqui também.” Nessa dinâmica, ninguém cresce. Quem está no buraco se acomoda ainda mais na própria paralisia, e quem desce perde alt...