O diabo não estaria te atacando com tanta força se não houvesse algo valioso em ti; ladrões nao roubam casas variadas.
O diabo não desperdiça energia com terrenos vazios. Nenhum ladrão estuda casas abandonadas, nenhum predador investe força onde não há carne, nenhum erro insiste onde não há potencial. Se a pressão é constante, se as tentações são sofisticadas, se os ataques parecem pessoais e persistentes, talvez o problema não seja a tua fraqueza — mas o teu valor. O que te persegue revela, muitas vezes, aquilo que você carrega sem ainda compreender plenamente.
Há uma ingenuidade perigosa em acreditar que os conflitos interiores são sinais de inadequação. Pelo contrário: os maiores combates surgem quando algo dentro de nós ameaça romper o status quo. O mal, seja entendido como força simbólica, psicológica ou espiritual, não se move por acaso. Ele fareja possibilidade. Ele reage quando percebe crescimento, autonomia, consciência. Onde não há risco de despertar, não há ataque. Onde tudo dorme, nada incomoda.
Observe a história humana. Os que ousaram pensar além da manada foram perseguidos. Os que falaram verdades incômodas foram silenciados. Os que carregavam uma missão maior do que si mesmos foram testados até o limite. Não porque fossem fracos, mas porque representavam ameaça à mediocridade organizada. O ataque não vem para destruir o que é inútil, mas para neutralizar o que pode transformar.
No plano interior, isso se manifesta como dúvida excessiva, culpa desproporcional, medo irracional de avançar, autossabotagem refinada. A mente começa a negociar a desistência com argumentos aparentemente razoáveis. “Talvez você esteja indo longe demais.” “Talvez seja melhor se encaixar.” “Talvez esse chamado seja arrogância.” Não são pensamentos aleatórios. São estratégias. Estratégias para manter você pequeno, previsível, controlável.
A espiritualidade madura não romantiza o sofrimento, mas tampouco o ignora. Ela compreende que a resistência aumenta na mesma proporção da responsabilidade. Quem carrega mais, é mais pressionado. Quem pode mais, é mais testado. Isso não é privilégio; é encargo. O valor que existe em você cobra postura, disciplina e coragem. Caso contrário, torna-se peso, não potência.
Há, porém, um erro comum: interpretar o ataque como sinal de que se deve recuar. Isso é covardia disfarçada de prudência. O ataque, muitas vezes, é o último recurso antes do avanço. É o ruído que antecede o salto. A noite mais escura não surge para te confundir, mas para revelar se você confia apenas na luz externa ou se já acendeu algo dentro.
Nietzsche dizia que aquele que tem um “porquê” suporta quase qualquer “como”. Viktor Frankl viveu isso no inferno humano. Jesus foi tentado no deserto antes de iniciar sua missão pública. Não há ascensão sem confronto. Não há amadurecimento sem fricção. A pergunta nunca foi se você seria atacado, mas se estaria preparado para não se trair durante o ataque.
Portanto, pare de pedir uma vida sem luta. Peça lucidez para compreender o que a luta está tentando te ensinar. Pare de amaldiçoar a pressão. Ela é o termômetro do teu chamado. Se algo em você está sendo visado, é porque há ali ouro bruto — e ouro só aparece onde houve profundidade.
Agora, a provocação que não pode ser evitada: o que em você é tão valioso que precisa ser constantemente atacado — e por que você ainda insiste em tratá-lo como se não fosse nada?

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